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domingo, 31 de outubro de 2010
DESTINO - DALI - DISNEY
Por Thais Lombardi *
Destino foi um projeto de Salvador Dalí e Walt Disney, inicialmente para
ser finalizado nos anos 40 ,mais precisamente em 1946, nesta época a Disney
passava por um grande crise financeira, e o projeto ficou guardado por mais de 50
anos, até que nos anos 2000, o projeto veio a ser finalizado,pelos estúdios Disney.
Com o fracasso de Pinóquio e Fantasia, os estúdios Disney entraram em crise, pois ambos foram projetos ambiciosos, que gastaram mais do que arrecadaram. A crise também foi atribuída a 2ª grande Guerra que infelizmente fechou os mercados Europeus.
Com a entrada dos EUA na guerra, Walt Disney começou a produzir filmes com conteúdos militares, alguns de conteúdo ultra secreto. Estes filmes de cunho patriótico e militar não fizeram sucesso e enquanto isso a Disney perdia mais lucros.
Salvador Dalí era um pintor bastante renomado na época, participava do movimento surrealista europeu, junto com vários artistas eles propunham uma visão irreal sobre coisas comuns da nossa realidade. Dentre os participantes do grupo havia o escritor Federico García Lorca e o cineasta Luis Buñuel, que trabalhou com Dalí em dois filmes "A idade do ouro", e "Um cão andaluz", que é o mais conhecido dos dois.
Segundo Buñuel este filme foi concebidos através de conversas entre os dois, onde eles discutiam sobre seus sonhos, é nele que temos a imagem muito famosa da navalha que corta o olho.
Fayga Ostrower, diz que "destacando-os [os objetos] de seu contexto natural, o Surrealismo os recombina e justapõe em novos conjuntos, que criam um clima irreal ou
irracional"(OSTROWER,2004, p.335)
O surrealismo caracteriza por formas expressivas, que não podem ser definidos como somente, expressionistas, idealistas e naturalistas. O surrealismo brinca com todas essas formas de representação na arte. As imagens (oníricas) são carregadas de significados simbólicos, é uma arte mais subjetiva do que objetiva, é poesia que pode ser interpretada de diferentes maneiras pelo público. Os surrealistas eram bastante influenciados pelo pensamento da psicanálise de Freud "segundo o qual, quando nossos pensamentos em estado vígil ficam entorpecidos, a criança e o selvagem que existem em nós passam a dominar"(Gombrich,2008, p.592), também estudavam bastante os processos do inconsciente e quando esses processos mentais poderiam vir a mente.
Os desenhos conceituais do curta, foram desenhados por Salvador Dalí, e podemos ver grande influência de sua pintura nos desenhos do filme. O uso das cores e das formas fantásticas são influências das pinturas de Dalí. O filme mostra várias vezes um relógio e ele está se desfazendo, como na pintura mais famosa de Dalí. Importante dizer que o filme possui formas semelhantes ao 3D, e que foram pensadas por Dalí nos anos 40.
O desenho conta a história de amor de uma mulher que percorre ao tempo buscando seu par. A metáfora do tempo é mostrada várias vezes por meio do relógio, e o homem que ela busca está na forma de uma estátua. O amor idealizado está longe do coração dela, mas ele é tão grande que ele consegue se livrar da prisão e luta para alcançar seu amor.
Ela percorre durante muito tempo passando por transformações do mundo (exemplo ela cai em uma “floresta de telefones”, após ficar presa nua dentro de uma concha e andar por um enorme corpo humano em espiral metáfora para o nascimento de uma pessoa), quando na verdade não passou de um momento, ela está ainda frágil e indefesa.
Ela entra em um estado de transe e começa a dançar livre, tão livre que sua cabeça se transforma em um dente de leão (uma planta leve que voa fácil com o vento), quando ela se sente livre, o coração do seu amado, em forma de pássaro se liberta e o homem idealizado nasce. E o tempo resiste em deixá-lo. Neste momento do filme temos um plano que remete ao filme que Dalí realizou com Buñuel “Um cão Andaluz”: O homem com um buraco na mão, e de dentro deste buraco saem formigas, que de repente se transformam em homens montados em suas bicicletas (mais uma metáfora da modernidade). As barreiras do tempo os impedem de seguir com o amor, paredes crescem entre eles.
Um momento bastante interessante do filme é a hora que a mulher, vista pelo lado de fora de uma muralha,se transformam em um rosto de homem, referência direta ao quadro
“Aparição de rosto e fruteira numa praia,1938”, uma pintura com bastante informações em uma mesma tela.
As cores utilizadas no desenho, são comuns na pintura de Dalí, o céu totalmente azul,e os tons pastéis e o uso claro e escuro bem definidos são marcas do surrealismo, para mostrar a dualidade e a personalidade do homem, que busca o amor e sente triste e livre ao mesmo tempo.
Ficha técnica:
Dominique Monfery- Direção
Roy Edward Disney- Produção Executiva
Baker Bloodworth- Produção
Salvador Dalí-História
Referências Bibliográficas
OSTROWER,Fayga. Universos da Arte. 24 edição Rio de Janeiro, RJ.
Elsevier, 2004. 3ª reimpressão.
GOMBRICH,E.W. A História da arte. 16ª edição Rio de Janeiro, RJ.
*Thais Lombardi, eh estudante do 7 periodo do curso de Cinema e Video da UNA
terça-feira, 20 de abril de 2010
Walt Disney
Walt Disney por Diogo Taroco*
Por mais que pareça extremamente óbvio e nada original, não pude deixar de escolher Walt Disney para realizar esse trabalho. Seria cinismo de minha parte fazer um texto sobre outro animador, não que eles sejam menos importantes ou desinteressantes, mas pelo simples fato de que Disney marcou e ainda marca minha vida. Os desenhos de que mais gosto, longas animados de que mais me recordo, filmes mais assistidos durante a infância, melodias, frases e seqüências penetradas em minha mente. Tudo isso pertence às criações dos Estúdios Disney, que não existiriam se Walt não fosse o precursor de todo esse legado.
É quase impossível uma pessoa não conhecer pelo menos um elemento criado pelas projeções e propagações das idéias de Disney. Seus desenhos ganharam a cultura de massa, incrustaram-se nas multidões, tornaram-se referências e expressões.
Obviamente, seria impossível falar de uma extensa variedade de conteúdos e de toda vida desse grande homem em um pequeno ensaio como esse. Há tantos temas, obras produzidas, teorias e conexões tão diversificadas que sobraria conteúdo para escrever vários livros. Mas não é o que pretendo. Traçarei um breve panorama da vida e da obra de Walt Disney, assim como a herança viva que deixou entre nós.
WALT DISNEY: UMA BIOGRAFIA RESUMIDA
Walter Elias Disney nasceu em Chicago, em cinco de dezembro de 1901. Era filho de Elias Disney, um fazendeiro e carpinteiro de descendência irlandesa, e Flora Call Disney, uma professora escolar americana de descendência alemã. Tinha dois irmãos, Roy O. Disney, oito anos mais velho que ele, e Ruth Disney, dois anos mais nova. Em 1905 os pais de Walt mudaram-se para uma fazenda em Marceline, no Missouri. Nos anos em que viveu na fazenda Walt desenvolveu paixão por desenhos. Acredita-se que os animais presentes em suas futuras histórias também foram idealizados pelos que viviam nesse local. Depois de quatro anos, em 1911, a família de Walt mudou-se para Kansas City. Nessa cidade Walt estudou na Benton Grammar School, onde conheceu Walter Pfeiffer. A família de Pfeiffer era apaixonada por cinema e acabou introduzindo Walt ao universo dos vaudevilles e dos filmes. Já nessa época ele fazia cursos infantis aos sábados no Kansas City Art Institute. Em 1917, de volta a Chicago, fazia cursos noturnos no Chicago Art Institute. Nesse período tornou-se cartunista do jornal de sua escola. Seus desenhos expressavam patriotismo e enfocavam a Primeira Guerra Mundial.
Com 16 anos largou a escola para entrar no exército, mas não conseguiu se alistar por não ter idade suficiente e entrou parta a Cruz Vermelha. Em 1919 resolveu voltar para Kansas City e começar sua carreira artística. Tentou emprego como caricaturista em jornais, mas não foi admitido. Então Roy, seu irmão, conseguiu um emprego temporário para ele no Pesmen-Rubin Art Studio, onde criava anúncios diversificados. Nesse local conheceu Ubbe Iwerks, com quem fundou a companhia Iwerks- Disney Commercial Artists, em 1920. A companhia não teve muito sucesso, já que Disney precisava de um emprego que lhe desse dinheiro e Iwerks não tinha como sustentá-la sem ajuda financeira.
Disney começou a se interessar por animação quando trabalhou na Kansas City Film Ad Company, local em que realizava comerciais animados. Decidiu abrir seu próprio negócio de animação e chamou um companheiro de trabalho (Fred Harman) para ser seu empregado. Juntos produziam animações conhecidas como “Laugh-O-Grams”. Fizeram muito sucesso e Disney abriu seu primeiro estúdio, que levava o mesmo nome dos desenhos. Mas o estúdio não prosperou por excesso de dívidas e falta de gerenciamento adequado. Disney decidiu investir alto, foi com seu irmão e Iwerks para Hollywood tentar comercializar outra série de desenhos que havia criado, “Alice Comedies”. Foi o início do Disney Brothers Studio.
Depois do um primeiro sucesso com a série Alice, em 1927 o estúdio Disney se expandiu com o novo desenho criado por Iwerks, “Oswald The Lucky Rabbit”. O desenho foi um sucesso e o personagem principal, o coelho Oswald, tornou-se uma figura popular. Mas a Universal, que distribuía a série, registrou-a como marca, detendo os seus direitos autorais. Disney não tinha mais direitos sobre Oswald.
A perda dos direitos de Oswald talvez tenha sido um dos melhores acontecimentos para Disney. Sem o personagem ele sentiu a necessidade de desenvolver um novo, que pudesse o substituir. Fez desenhos inspirando-se em um rato de estimação que tinha e Iwerks tornou seus traços mais propícios para o processo de animação. Disney deu personalidade ao ratinho (e o dublou, quando se tornou desenho sonoro, até 1946). No princípio o personagem se chamava Mortimer, mas a esposa de Disney não achava o nome adequado e sugeriu Mickey. Em 1928 foi lançado o primeiro desenho animado de Mickey Mouse (chamava-se “Plane Crazy” e era desprovido de sons). Disney não conseguiu que distribuidores lançassem seu desenho no mercado, assim, procurou tecnologias que pudessem realizar desenhos sonoros. Criou “Steamboat Willie”, primeiro desenho sonoro com Mickey Mouse, que fez sucesso imediato. Mickey se tornaria o símbolo das produções da Disney, atingindo o ápice de seu sucesso na década de 1930.
Antes disso, em 1929, Disney lançou outra série, chamada “Silly Symphonies”, com curtas musicais. Três anos depois, Mickey continuava fazendo sucesso, ao contrário de “Silly Symphonies”. Disney enfrentava a concorrência de “Betty Boop”, criada por Max Fleischer. Então, com um acordo com a Technicolor, pôde realizar desenhos coloridos e em 1933 lançou “Os Três Porquinhos”, sucesso absoluto de audiência. A música “Quem tem medo do Lobo Mau”, presente nesse desenho, tornou-se um forte tema durante a Grande Depressão dos Estados Unidos. Posteriormente a Mickey, Disney criou vários outros personagens de sucesso, como Pato Donald, Pluto e Pateta.
Em 1935 Disney enfrentava outro forte concorrente criado por Max Fleischer: “Popeye”. Achou ser o momento propício para desenvolver seu primeiro longa metragem animado, versão de um conto dos Irmãos Grimm, “Branca de Neve”. Contrariando conselheiros, amigos e empresários que diziam que o longa se tornaria um grande fracasso, Disney continuou com a idéia do filme, desenvolvendo estudos e pesquisas para que ele pudesse se realizar com a qualidade que desejava. Não foi fácil desenvolver o filme, que necessitou de empréstimos para ser finalizado. No final de 1937, “Branca de Neve e os Sete Anões” foi concluído e estreou em 1938. Fez um enorme sucesso e se tornou o filme mais bem sucedido do ano em que foi lançado. “Branca de Neve” marcou o período que posteriormente seria conhecido como “a era de ouro da animação da Disney”.
“Pinóquio” e “Fantasia” (que foi um fracasso, comparado aos outros), os filmes de longa metragem animados lançados em 1940, após “Branca de Neve”, não conseguiram atingir os resultados esperados. “Dumbo”, lançado em 1941, também não foi muito expressivo, mas fez sucesso. Aliás, a partir dessa data até 1945, enquanto o mundo passava pela Segunda Guerra Mundial, os estúdios Disney não produziram muitas coisas, pois boa parte da equipe fora contratada pelo governo para promover filmes militares, que exaltassem os feitos da nação. A falta de apoio às produções Disney na época fez com que “Bambi” (1942) ficasse abaixo do desempenho esperado, o que não significava que não encantou multidões, como tradicionalmente acontecia com os filmes de Disney.
Após a guerra, no final da década de 1940, Disney já havia recuperado o suficiente para retomar e iniciar novos projetos. Começou a trabalhar na criação de “Alice no País das Maravilhas”, “Peter Pan” e “Cinderela”. Os curtas de animação de Disney já não faziam tanto sucesso e perdiam popularidade graças aos desenhos do “Pernalonga” distribuídos pela Warner. Mas a figura encrenqueira e rabugenta do “Pato Donald” substituiu a imagem de Mickey e passou a ser disputa direta com a Warner, em 1949.
Apesar de investir em filmes live-action, como “A Ilha do Tesouro” (1950), Walt não abandonou as animações. Logo produziu “A Dama e o Vagabundo” (1955), “Bela Adormecida” (1959- filme comparado ao sucesso de “Branca de Neve”) e “101 Dálmatas”
(1961).
Disney, além de suas constantes produções animadas, também participou ativamente da política do seu país. Era extremamente patriota e anticomunista, tanto que fazia parte de um comitê que investigava e delatava pessoas suspeitas de exercerem atividades contra o sistema capitalista.
Paralelamente a esses projetos, ainda fora do campo da animação, começou o planejamento da Disney World, na Flórida (em 1955 já havia inaugurado a Disneylândia, na Califórnia). Idealizava os parques temáticos como lugares onde poderia construir suas fantasias para que fossem realmente vivenciadas.
Em 1964 realizou seu último filme, “Mary Poppins”, outra obra de sucesso que inovou e ousou ao mesclar animação com live-action. Walt Disney morreu em 15 de dezembro de 1966, vítima de um câncer no pulmão. Mas sua influência estava longe de acabar, muito pelo contrário. Após sua morte a Disney Company continuou (e continua) se desenvolvendo. Além de revolucionar o campo da animação, hoje a marca Disney representa um império multibilionário. Produziu inúmeros outros grandes sucessos, obteve grande êxito em projetos de computação gráfica e ainda inova a indústria de entretenimento. Walter Disney tornou-se imortal por meio de suas criações.
BREVE PANORAMA DO LEGADO DE WALT DISNEY
A Disney surgiu no final da década de 1920 como uma pequena empresa, quando Walt Disney e seu irmão Roy começaram a produzir os desenhos do Mickey Mouse. A companhia cresceu gradativamente, às vezes vivenciando dificuldades financeiras, mas se estabelecendo como uma empresa de produção independente em Hollywood. Não como um dos maiores estúdios, (na verdade, a empresa dependia de outras companhias para distribuir seus produtos), os irmãos Disney construíram uma reputação para animação de qualidade, utilizando ferramentas tecnológicas e desenvolvimentos técnicos, tais como som e cores.
Apesar do status de a Disney ser uma companhia independente em Hollywood, seus produtos obtiveram popularidade instantânea e inconfundível. De fato, a imagem de Mickey Mouse foi um fenômeno global em meados da década de 1930. Graças à distribuição internacional dos filmes da Disney e aos esforços de merchandising que os acompanharam, a companhia desenvolveu uma reputação que foi ampliada muito além dos recursos das outras que existiam na época.
E a boa reputação continuou. O marketing agressivo de uma imensidão de produtos Disney, por uma ampla gama de canais de distribuição existentes em todo o mundo, contribuiu para a proliferação de imagens e personagens da Disney. Seus produtos já estavam (e hoje estão ainda mais) em quase todo lugar.
Atualmente a Disney representa uma participação muito mais dominante no mundo e nos negócios do entretenimento, visto que a companhia obteve incrível sucesso ao atingir áreas além da programação infantil. No entanto, ainda mantém tal reputação por produzir conteúdo de entretenimento familiar que é seguro, “saudável” e divertido. Esse renome é ainda mais ressaltado por representações cada vez mais vivas e abertas da violência e do conteúdo sexual em outras mídias, aspectos que se distinguem claramente da postura adotada pela Disney. Deste modo, a companhia é capaz de permanecer muito influente, se não dominante, no mercado de entretenimento familiar e infantil, assim como se expande em outras áreas de negócio.
Apesar das reivindicações de que apenas produz entretenimento, a companhia Disney criou um universo independente, que apresenta valores sempre reconhecíveis através de personagens recorrentes e temáticas familiares. A forte marca da Disney é representada pelos seus produtos, desde desenhos, filmes e programas televisivos até exuberantes parques temáticos e resorts, assim como pela filosofia da companhia. É possível, então, identificar, designar e classificar um “Universo Disney”. Universo que possui mediações históricas, que provocou transformações nos séculos XX e XXI e que criou aspectos culturais e ideológicos.
Não obstante, é preciso considerar todos os fenômenos produzidos por Walt Disney (e pela companhia Disney) seriamente e insistir que são aspectos legítimos para análises sociais e culturais. É importante não só examinarmos Disney e seus produtos, mas considerarmos e aceitarmos seu papel fundamental na construção de nossa cultura.
NÚMEROS RELEVANTES
Walt Disney foi indicado 59 vezes ao Oscar, sendo o recordista em número de indicações. Além de indicado tantas vezes, também ganhou 26 Oscars (quatro forma prêmios especiais e um foi por homenagem póstuma), outro recorde que detém.
Atualmente a Walt Disney Company possui, além de outros bens: 8 estúdios de filme, 6 gravadoras, 11 redes de televisão a cabo, 5 resorts, 11 parques temáticos, 2 parques aquáticos, 39 hotéis, 8 cruzeiros.
Entre desenhos, séries animadas e filmes, produziu 641 produtos e dirigiu 114.
Diogo Taroco, 21 anos, estudante do 7 periodo de Cinema e Video da UNA.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Análise das técnicas de animação utilizadas no filme “Mary Poppins” de Walt Disney

Análise das técnicas de animação utilizadas no filme “Mary Poppins” de Walt Disney por Vitória Carolina Almeida*
Mary Poppins (1964) foi considerado um grande marco na história do cinema, utilizando Live Action e animação de desenhos em uma mesma cena e stop motion em outras. Sendo um dos pioneiros no que hoje conhecemos como Efeitos Especiais, a história da babá mágica é constantemente revisitada em suas técnicas cinematográficas.
Walt Disney, que tentava comprar os direitos autorais da obra infantil de P. L. Travers desde 1938, finalmente o conseguiu vinte e um anos depois, começando a pré-produção do que seria considerado seu projeto mais pessoal quatro anos antes das filmagens.
Disney, que já tinha experiência na mistura de animação com Live Action, vide sua série “Alice” datada dos anos 30, decidiu inovar mais com o filme cuja história por si só já era mágica.
O esforço foi tão recompensado que o filme levou nada menos que 5 das 13 nomeações para os Academy Awards, incluindo melhores efeitos visuais e edição.
As técnicas usadas ainda estavam sendo desenvolvidas, e nunca antes haviam sido utilizadas tantas em um mesmo longa metragem.
Já nos primeiros minutos do filme, a figura da personagem título, representada por Julie Andrews aparece entre as nuvens sobre a Londres de 1910. A magia dos estúdios Disney, com a ajuda das cores vivas providas pela Technicolor, então se inicia. Andrews estava, na realidade, assentada no alto de uma escada, tendo as nuvens sido adicionadas depois, em outra película, que, quando juntas, formaram a cena vista.
Conforme a história se desenvolve, vemos Poppins voando pelo céu com seu guarda-chuva, o que era possível graças a cabos de aço, que seriam digitalmente removidos depois e substituído pelo cenário do céu recobrindo a Alameda das Cerejeiras e o Parque.
A cena da arrumação do quarto das crianças é a primeira a utilizar verdadeiramente o conceito de animação nesse filme. Os móveis e objetos que se movimentam ao comando das crianças foram gravados em cenas distintas, fazendo o inverso do que aparece no vídeo. As camas, por exemplo, foram filmadas sendo desarrumadas. Depois, a gravação foi juntada com o restante do filme de trás para frente, dando a impressão de que o quarto estava se arrumando sozinho. A parte em que os soldadinhos aparecem marchando em direção à caixa de brinquedos, porém, foi constituída única e exclusivamente de Stop Motion, técnica que estava sendo desenvolvida pelos estúdios Disney para o filme “O soldadinho de chumbo.” Deve-se ressaltar também o uso de Animatronics, bonecos eletrônicos que estavam sendo desenvolvidos para o complexo de parques Disney. Os passarinhos com quem Poppins contracena, eram, na realidade, robôs movidos por cabos devidamente escondidos por entre as roupas de Andrews.
Mas é quando Mary Poppins leva as crianças para um dia no parque que a magia do filme atinge seu ápice. Com a ajuda de um pouco de “mágica” elas entram em um dos desenhos feitos por Bert no chão do parque, transportando-se para um mundo de duas dimensões perfeitamente criado para tirar o fôlego do público que, nos anos 60, não estava nem um pouco acostumado com esse tipo de criação e se surpreendeu o feito dos estúdios Disney. Como era possível, em 1963 misturar pessoas reais com tartarugas e pingüins desenhados que interagiam perfeitamente com os personagens? Disney tinha a resposta.
Depois que os Storyboards estavam meticulosamente prontos, os atores eram filmados contra uma tela laranja chamada “Sodium Vapor Process Screen”, a precursora dos Chroma Key, que somente permitia a filmagem dos atores, sendo o fundo adicionado posteriormente pelos animadores. A técnica do fundo laranja, criada por Ub Iwerks, era a única até o momento que admitia a utilização de uma palheta de cores quase infinita no figurino dos atores, o que fez com que fosse possível que os atores fossem perfeitamente separados do fundo sem perca de detalhe algum.
Tendo a filmagem da atuação em mãos, os responsáveis pelos desenhos faziam seu trabalho baseando-se na posição dos atores. Em outra película, os animadores desenhavam os personagens, posteriormente essa era juntada e sincronizada com a original, nos dando a totalidade da cena como é conhecida até hoje, o que criava uma interação perfeita entre desenho e realidade, nos fazendo realmente acreditar que Mary e Bert estavam dançando com vacas, cavalos e pingüins de duas dimensões.
E por último, mas não menos importante: a cena do passeio pelos telhados de Londres. Mais uma vez os atores foram filmados contra a “Sodium Vapor Process Screen”, que seria mais tarde substituída pela pintura de Londres, na qual haviam furos milimétricos, que permitiam a passagem de luz de maneira de que, quando anoitecesse, pequenas luzes se acendiam por toda a cidade, aos pés do quarteto.Já os fogos de artifício que espantam os limpadores de chaminé foram adicionados depois, tal como os desenhos na cena do parque.
Assim, Walt Disney, que já tinha um grande prestígio por toda sua capacidade cinematográfica, teve neste, que foi considerado uma de suas obras primas, um reconhecimento enorme, que até hoje perdura na mente de adultos e crianças.
Referências utilizadas:
“Making of” do filme nos DVDs das edições especiais de comemoração de 40 e 45 anos de Mary Poppins.
MARY Poppins. Direção: Robert Stevenson. Produção: Walt Disney e Bill Walsh. Intérpretes: Julie Andrews; Dick Van Dyke; David Tomlinson; Glynis Johns e outros. Roteiro: Bill Walsh e Don DaGradi. Disney Studios, 1964.
Vitória Carolina Almeida, 18 anos, estudante do 1 período de Cinema e Video da UNA
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