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sábado, 28 de agosto de 2010

8 MUMIA - MOSTRA INTERNACIONAL


42 curtas compoem a mostra internacional do 8 MUMIA. Filmes vindos de 22 paises, num mistura de autores altamente consagrados com iniciantes e muitos jovens talentos. Simplismente imperdivel. Muitos desses curtas passam pela primeira vez no Brasil.







INTERNACIONAL 01
ONDE QUER QUE VÁS LÁ ESTARÁS – Sara Barbas – 2’- Portugal / Reino
Unido – 2008.
O URSO NO PRECIPIO - BEAR AT THE CLIFF – Woon Bing Chang – 2’- UK / Malaysia – 2009
A CIDADE - KAUPUNKI – THE CITY - Vappu Tuomisto -5’ 47”- Finland – 2009
JOHN AND KAREN – Matthew Walter – 3’30”- Reino Unido – 2007
PAIS MOHAMEMED - COUNTRY MOHAMMED – Berin Tuzlic – 3’- Bosnia and Herzegovina – 2009
SERES HUMANOS -ADAMHA – HUMAN BEINGS – Mashaallah Mohammadi – 3’- Iran – 2009
PATRIA - HOMELAND - Juan de Dios Marfil – 6’ 25” - Czech/Spanish - 2009
ALMOCO - LUNCH - Irina Golina Sagatelian – 1’20”- Israel - 2010
O QUE MAIS ESTA LA - WHAT ELSE IS THERE – Nigel Mullins – 9’- Africa do Sul – 2010
TROLLEY BOY - TEEMU AUERSALO - 3'54” – IRELAND – 2009
FENGSHUI – Pauliina Punkki – 4’- Finlandia – 2009
VIDEOGAMES – Javier Cabrera – 4’30”- Argentina – 2008
REAL ESTATE – Jonathan Weston – 4’- Londres - UK – 2009
O BARBEIRO ELETRICO -ELASTINEN PARTURI – THE ELASTIC BARBER - Milla Nybondas – 5’20”-
Finlândia – 2005.

Total: 58’

INTERNACIONAL 02
A DIFICIL REFLEXAO -HANKALA PEILIKUVA – THE DIFFICULT REFLECTION – Milla Nybondas
& Kristina Laine – 4’- Finlândia – 2009
LESHII - Irina Golina Sagatelian -2’30”- Israel - 2009
MONDO A PROCURA DO SOL - MONDO’S SEARCH FOR THE SUN – Jana Prchalova – 11’- Great Britain- 2010
HORN DOG - Bill Plympton – 4’30” – USA – 2009
RECEITA - RECIPE - Martha Griffith – 5’ 23”- Canadá – 2009
POMBO IMPOSSIVEL - PIGEON: IMPOSSIBLE – Lucas Martell – 6’- Austin – USA – 2009
LICOES DE INGLES - ENGLISH LESSONS – Chrzu – 20’ – Finlandia – 2008

Total: 53’

INTERNACIONAL 03
ACHADOS E PERDIDODS -LOST AND FOUND – ACHADOS E PERDIDOS - Philip Hunt – 24’- Inglaterra –2008.
O ESPANTALHO - LES EPOUVANTAILS - Berin Tuzlic – 3’- Bosnia and Herzegovina – 2010
O FILHO DESPUGLADO - FAMILJELAMPAN – THE UNPLUGGED SON - Milla Nybondas – 9’- Finlândia
– 2009.
FOTOGRAFIA DE JESUS -PHOTOGRAPH OF JESUS - Laurie Hill – 6’40” - Inglaterra – 2008
EU CONHECO VOCE - I KNOW YOU – Gudrun Krebitz- 4’- Alemanha / Austria – 2009
ROJAK – Jordan Suleiman & Mussadique Suleiman – 5’- Malaysia – 2009.
SURPRESA GELADA - JAATAVA YILATYS – Anu Sorsa – 2’- Finland – 2009.
Total: 54’

INTERNACIONAL 04
A MORTE SURPRESA DA MAE DE FRANCIS COOPER -THE SURPRISE DEMISE OF FRANCIS COOPER’S MOTHER – Feliz Massie – 7 ‘30” – Reino Unido – 2008
ME ORGULHO DE VOCE - I AM SO PROUND OF YOU – Don Hertzfeldt – 22’-
USA – 2008
O INFERNO DE UM HOMEM - ONE MAN'S HELL - SOULS SUCKER - Vittorio Farfán – 3’ – Chile – 2009
UM FILME SOBRE POO - A FILM ABOUT POO – Emily Howells & Anne Wilkins – 1’30”- Reino Unido – 2009.
MERDA ACONTECE - SH*T HAPPENS - Andrew Grindle – 6’ – Wales- UK – 2008
ATENCAO AO CLIENTE - ATENCIÓN AL CLIENTE - Marcos Valín, David Alonso – 8’- Espanha - 2007
COMO PETROLEO BRUTO -LIKE CRUDE OIL - Daniel Pardo - 4’ – Espanha – 2009

Total: 52’

INTERNACIONAL 05
TUDO VAI DAR CERTO - EVERYTHING WILL BE OK – TUDO VAI DAR CERTO - Don Hertzfeldt – 17’- USA – 2006.
TINTA - INK - Justine Wallace – 11’ – Australia - 2009
MAOS SANGRENTAS - VERISET KADET – BLOODY HANDS – Malakias – 7’ – Finlandia – 2009
COMO EU, SO QUE MELHOR - LIKE ME, ONLY BETTER – Martin Pickles – 5’20” – Inglaterra – 2007
EU CAI - I FALL DOWN – Jesse Collet – 3’- Reino Unido – 2010
A VACA QUE QUERIA SER UM HAMBURGUER - The Cow Who Wanted to be a Hamburger - Bill Plympton – 5’50” - USA - 2010

Total: 50’

domingo, 20 de setembro de 2009

Filme de Abertura 7 MUMIA


É com sastifação e orgulho que anunciamos que o filme de abertura será IDIOTS AND ANGELS - IDIOTAS E ANJOS - Bill Plympton - 78’ - Estados Unidos - 2008
Angel é um homem egoísta, abusivo, moralmente falido que sai para o bar local repreendendo os outros clientes. Um dia Angel, misteriosamente, acorda com um par de asas em suas costas. As asas fazem com que ele pratique boas ações, ao contrário de sua natureza.
Ele, desesperadamente, tenta livrar-se das asas, mas, eventualmente ele se vê lutando contra os que vêem suas asas como uma passagem para a fama e a fortuna. O Filme fanhou os premios de Special Distinction - Annecy Animation Festival; 1st Prize feature film - Cinanima; Best film and best screenplay - Fantasporto.
A idéia de “Idiots and Angels” surgiu em 2005, quando Bill Plympton, depois de lhe perguntarem sobre o que iria ser o seu próximo filme, declarou peremptoriamente que seria “sobre um anjo que não queria as suas asas”, e depois foi desenvolvendo aos poucos este conceito e explorando as potencialidades de um anjo relutante.
Nessa altura, Bill acabara de produzir “Hair High”, que obteve um sucesso estrondoso, mas embora esse fosse um ótimo filme e o tivesse feito rico, teve uma produção muito complicada e Bill estava exausto e precisava de algo diferente, pelo que decidiu que o seu próximo longa teria de ser algo totalmente oposto em termos de estilo. Enquanto “Hair High” era todo cheio de brilho, muito colorido e com muita animação, “Idiots and Angels” acabou por ser um exercício animado, sem diálogos, sustentado apenas pela força da música e dos efeitos sonoros, num registro mais contemplativo e poético.
Plympton considera que, por tudo isso, este filme tem um estilo muito próximo da cinematografia do leste europeu, do gênero de Jan Svankmayer, um filme muito negro e surreal – “ao estilo de David Lynch, se ele fizesse animação”, refere Plympton.
UM HUMOR MUITO ESPECIAL
Idiots and Angels teve a sua estréia mundial no Festival de Cinema Tribeca, em Abril de 2008 e ganhou o Special Distinction Award na categoria de longa-metragem no Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy em Junho de 2008.
Novamente, e à semelhança dos seus outros filmes, Bill Plympton quer quebrar totalmente com o estereótipo de que o cinema de animação é para crianças. Bem pelo contrário, os filmes de Plympton usam temáticas muito negras e sarcásticas, apostando num estilo delirante que mistura laivos de surrealismo com humor desvairado e non-sense. Este, Idiots and Angels, é uma comédia negra e misteriosa que se distingue das anteriores de Plympton.
Destaca-se a música de Tom Waits, Moby e Pink Martini. A música assume, nesta obra, um papel determinante, visto ser um filme sem quaisquer diálogos, assentando apenas nas ações dos personagens e no universo onírico das suas fantasias para nos contar esta história de alguém que um dia acorda com um par de asas nas costas.
UM IMAGINÁRIO MUITO PRODUTIVO
Bill Plympton é um realizador e cartunista norte-americano de renome internacional, que não pára de surpreender e ser surpreendido com nomeações, prêmios, distinções pelo trabalho que desenvolve, mas principalmente com suas loucas obras de arte animadas.
Nascido em 1946 na cidade de Portland (estado de Oregon, EUA), percebeu desde cedo a sua vocação e dela não desistiu. Depois da formação recebida primeiro pela Portland State University e mais tarde pela Escola de Artes Visuais na cidade de Nova York, vieram suas primeiras ilustrações publicadas em jornais como The New York Times e The Village Voice.
A popularidade não tardou a chegar e os seus traços passaram a aparecer nas páginas das revistas Vogue, Rolling Stone, Vanity Fair, Penthouse e Nacional Lampoon. Ao longo de sua carreira, Bill tem feito cerca de duas a três curta-metragens ao ano, que manterá, no entanto, introduzir uma sólida receita de vendas em todo o mundo. Com um portfólio vasto, seja em curta ou longa-metragens, Plympton ganhou notoriedade por desenhar ele próprio cada frame das suas animações.
Bill Plympton criou um estilo próprio que todos reconhecem como seu. Bill fez um intervalo de 5 anos na animação para lançar seus live-actions: J. Lyle (1993), Guns on the Clackamas (1995), Walt Curtis, the Peckerneck Poet (1997). Em 1998 Bill regressa à animação com a extravagante I married a Strange Person.
Em 2001 vence o Grande Prêmio Annecy com o filme Mutant Aliens, que nos conta a história de um astronauta que regressa à Terra após viver 20 anos no espaço. Seu curta-metragem Guard Dog foi um hit em festivais de cinema e garantiu a sua segunda nomeação para um Oscar, em Janeiro de 2005.
Fonte: Revista de Apoio, conteúdos e curiosidades do 32º Cinanima – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho - Portugal

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O Zen Bill Pympton e o cinema feito de Lapis e Papel


Computador e lápis são aliados para fazer animação
John Anderson


A 4,8 mil km de onde Feliz, Dunga e Mestre decoram as paredes dos estúdios Walt Disney em Burbank, está o escritório do animador Bill Plympton em um dos edifícios repletos de portas de aço anônimas no sul de Manhattan. Atrás delas podem existir tanto revendedoras de aspiradores quanto cartéis internacionais de narcóticos. Mas quem se importa? Claramente, coisas mais fantásticas estão surgindo no final do corredor no escritório de Plympton: casamentos alienígenas. Pêlos de nariz tão longos quanto o Nilo. Cães que sonham com hidrantes. E cinema criado a lápis. Muitos lápis.

Enquanto Bolt e Madagascar 2: a Grande Escapada continuam ocupando as salas de cinema, e Wall-E parece estar destinado a um Oscar de animação (e talvez até mesmo a uma indicação para melhor filme), os desenhos animados parecem ser a melhor aposta de Hollywood para uma vida longa e feliz - as animações em 3D parecem ser a última razão para o público sair de casa. A tecnologia de informática por trás disso pode ser comparada à da NASA.


Os enredos, sejam eles sobre cães iludidos, leões neuróticos ou pandas com golpes giratórios, são geralmente similares. Mas apesar do estilo bobalhão que influenciou a maior parte dos filmes animados americanos, um elemento insurgente continua fazendo animação para adultos. Nem tudo é desenhado à mão; alguns misturam ação real com animação, ou podem ser desenvolvidos por Flash ou PowerPoint.


Plympton, o mais conhecido desse quadro de animadores, cujos filmes incluem The Tune, I Married a Strange Person e, mais recentemente, o curta Hot Dog, usa a mesma técnica que a Disney usava em 1936. "Diria que foram necessários cerca de 25 mil desenhos para Idiots & Angels", contou de seu mais recente filme, sobre um homem mau que desenvolve asas que o levam a fazer boas ações. "Faço cerca de 100 desenhos por dia, algo como 10 por hora, e se conseguir ficar nisso por 250 ou 300 dias, então tenho um filme."


É como, ele disse, "uma coisa zen". "Você fica tão focado. Não respondo e-mails ou telefonemas. Acordo às 6h, não me barbeio nem tomo banho, só começo a desenhar. É como um percurso. Ouvi que os romancistas fazem isso também. Eles se focam tanto por um ano que depois desabam por duas ou três semanas. Vão dormir. Ou beber".


Outros artistas têm outras táticas. Henry Selick (O Estranho Mundo de Jack de Tim Burton) está atualmente passando pelo doloroso processo de modelagem do filme, que colocou em ação tipos como Gumby e Wallace & Gromit. Seu novo trabalho, Coraline, está previsto para ser lançado em fevereiro.


"Você quer colocar a mão na massa," Selick disse quando perguntado sobre o que motivava seu uso de modelos de barro e objetos reais em vez de imagens onipresentes de computador. "É esse o sentido para mim."


Outros, incluindo Don Hertzfeldt, Signe Baumane e Plympton, desenham tudo à mão. Mas o tema de seus filmes passa longe das peripécias de Piu-Piu e Frajola: sexo e arrependimento (A Letter to Colleen, de Andy e Carolyn London); um império de pássaros fascista que conquista Londres (Bathtime in Clerkenwell e Last Time in Clerkenwell, de Alex Budovsky); uma adolescente petrificada por uma gravidez (Baumane's "Birth). Ou as agonias da bolha Wrap, enquanto aguarda o inevitável estouro (Fantaisie in Bubblewrap, de Arthur Metcalf).


Animações sérias não são desconhecidas nos Estados Unidos, embora a situação do mercado possa se comparar à do vinho californiano, pré-1976. Waltz With Bashir, o lançamento da Sony Pictures Classics sobre a invasão israelense do Líbano nos anos 1980, é tão séria quanto um filme pode ser. Persépolis e As Bicicletas de Belleville foram grandes exemplos da abordagem pós-Turma do Pernalonga e de uma maturidade de temas, se não necessariamente técnica. Mas os três são importações. Para que seu trabalho seja visto, a maioria dos animadores nos Estados Unidos precisa fazer o caminho inverso.


Baumane chegou a Nova York em 1995 da Letônia e finalmente encontrou um produtor para seu trabalho na Itália. Seu filme Teat Beat of Sex é uma aventura de 15 capítulos semi-autobiográfica e quase filosófica sobre erotismo. Potencializadas pela narração excitante de Baumane, cada curta poderia ser um número humorístico nos palcos, embora ela goste da permanência que o filme proporcione e da oportunidade para provocar: "acredito que ao chocar as pessoas, expandimos suas percepções".


"Meu trabalho é rejeitado por muitos festivais de animação porque eles não o consideram 'animado'", Baumane disse, explicando que usará quatro quadros por imagem, algo que dá menor fluidez de movimento ao filme projetado. (Filmes animados geralmente usam 24 quadros por segundo.) Essa atitude exclusivista é o tipo de coisa que provavelmente irritaria Hertzfeldt.
"Não sei por que essas coisas precisam ser classificadas em grandes e estúpidas gaiolas," disse Hertzfeldt, diretor indicado ao Oscar que divulga pelo país seu último curta, I Am So Proud of You, a seqüência de seu celebrado Everything Will Be OK. "Desenhos à mão contra computadores, película contra digital. Temos mais de 100 anos de uma incrível tecnologia de filmes para usar. Não sei a razão para qualquer artista dispensar qualquer uma dessas ferramentas."


"Muita gente supõe que, como gravo em película e trabalho com animação em papel, faço as coisas do 'jeito difícil', quando na verdade meus últimos quatro filmes teriam sido impossíveis de produzir digitalmente".


Despesas e tempo são os fatos pouco conhecidos da animação digital. Plympton, que gasta centenas de milhares de dólares em suas produções, disse que quando contratou alguém para criar um hotel digital para seu filme Shuteye Hotel, "foram seis meses de atraso e seis meses de estouro de orçamento."


Hertzfeldt, que usa uma rara e antiga câmera de 35 milímetros, disse: "muita gente parece supor que existe um botão 'fazer arte' no computador e tudo no mundo digital é mágico e fácil. Existe um sem fim de idéias erradas sobre como essas ferramentas funcionam e pouco conhecimento de que os animadores em computador precisam se esforçar tanto quanto os animadores tradicionais".


Apesar das exigências e penúrias, esses animadores continuam querendo mais - particularmente Plympton, que arrasta a teimosia a níveis olímpicos. "Produzir uma animação a cada seis meses, um longa a cada ano, uma só pessoa? Nunca foi feito," disse. "Seis longas-metragens sozinho? Não sei se isso alguém um dia vai conseguir repetir". Explode em gargalhadas. "Por que iria?"
Ultimamente, disse Hertzfeldt, os métodos são irrelevantes. "A única coisa que importa é o resultado na grande tela, não como você chegou a ele", disse. "Você pode fazer um desenho com giz de cera sobre um quadrado vermelho que sofre de um amor não correspondido por um círculo azul, e não deixar um só olho seco no recinto se souber como contar uma história".


Tradução: Amy Traduções
The New York Times