sexta-feira, 28 de maio de 2021
terça-feira, 15 de dezembro de 2020
quarta-feira, 2 de dezembro de 2020
PROGRAMAS BRASILEIROS
terça-feira, 1 de dezembro de 2020
18 MUMIA - Mostra Monstrengos
Mostra Monstrengos 1 / 40 ’
Psycho / Emerson Wiskow / 5´34” / Nova Santa Rita / RS / 2019
Matiz / Loic Ronsse / 2´39” / Belo Horizonte / 2020
SeuBôla encontrando os Nôuras / Bruno de Castro / 4’ 45“/ Rio de Janeiro / 2019
Cor / JJ Ribeiro / 1´/ Teofilo Otoni/ MG / 2017
Navegar é Preciso / Emerson Wiskow / 5´17” / Nova Santa Rita / RS / 2019
Um fuguete / JJ Ribeiro / 1´45” / Teófilo Otoni / MG / 2018
Fofinhos Aventureiros e a Espada Mágica Presa na Pedra / Rafael Dourado / 8´40” / Santo André / SP / 2019
Zorzal / Ileana Andrea Gómez GavinoseR / 3’ 53” / Argentina / 2019 /2D digital
El Jinete Azul / Ileana Andrea Gómez Gavinoser / 4’ 10” / Argentina / 2017 / 2D digital
Horizontes / Ileana Andrea Gómez Gavinoser / 2’/ Argentina / 2019 / 2D digital
Mostra Monstrengos 2 / 43´
Do, Re, Mi / Franco Ariel Malizia / 1’ / Argentina / 2017 /2D misto
Alone / Franco Ariel Malizia / 1’ / Argentina / 2019 / 2D
At the festival / Franco Ariel Malizia / 1’35” / Argentina / 2019 / Stop motion
Ouça o Riso / Pablo Augusto Carvalho Reis e Luan Marcos Rodrigues / 7’ 38” / Belo Horizonte / 2019
Sapo Brothers em: Aventuras em outra dimensão / Rafael Dourado / 25´53” / Santo André / SP / 2019
Dream Drum Dream / Ileana Andrea Gómez Gavinoser / 1’ / Argentina / 2019 / 2D digital
Figuras / Ileana Andrea Gómez Gavinoser / 5’ 08” / Argentina / 2014 / 2D digital
Monstrengo 1 e 2 (4 a 6 de dezembro)
http://www.poloaudiovisual.tv/title/18-mumia/?
domingo, 29 de novembro de 2020
quarta-feira, 23 de setembro de 2020
SELEÇÂO 18 MUMIA (de 2 a 9 de dezembro de 2020 - online e gratuita)
Mostra Mineira / 57´
Roteiro relé / Rúbia Gonzaga / 4´/ Belo Horizonte / 2019
Conto de Lágrimas / Mírian Rolim / 7´/ Belo Horizonte / 2014
Medo / Luísa Bacelar / 2´55” / Belo Horizonte / 2019
Zeitkrankheit / Mariana Machado e Renato Megali / 2’ / Belo Horizonte / 2015
Pila Pilão / Giuliana Danza / 1´ / Belo Horizonte / 2020
Comer bem te dá asas/ Sheila Rodrigues / 5´39” / Contagem / 2020
Ok Cupid / Beatriz Sampaio & Luhan Dias / 1´/ Belo Horizonte 2D / 2019
Fase Ruim / Juliana Prates Mota & Luhan Dias / 52” / Belo Horizonte / 2019
Superultramegafluuu / Érika Machado e Filipa Bastos / 3´34” / Belo Horizonte / 2015
Penislong / Carolina Diniz & Luhan Dias / 51” / Belo Horizonte /2019
Grey e Balldog em: A fome de Balldog / Alexandre Augusto / 1’ / Contagem / 2019
Batepapo / Camila Félix Souza & Luhan Dias / 56” / Belo Horizonte / 2019
Preta Prata / Desali / 9´/ Contagem/ 2020
O Celaticomus / Marcelo Tannure / 17´/ Nova Lima / 2020
Mostra Monstrengos 1 / 40 ’
PSYCHO / Emerson Wiskow / 5´34” / Nova Santa Rita / RS / 2019
Matiz / Loic Ronsse / 2´39” / Belo Horizonte / 2020
SeuBôla encontrando os Nôuras / Bruno de Castro / 4’ 45“/ Rio de Janeiro / 2019
Cor / JJ Ribeiro / 1´/ Teofilo Otoni/ MG / 2017
Navegar é Preciso / Emerson Wiskow / 5´17” / Nova Santa Rita / RS / 2019
Um fuguete / JJ Ribeiro / 1´45” / Teófilo Otoni / MG / 2018
Fofinhos Aventureiros e a Espada Mágica Presa na Pedra / Rafael Dourado / 8´40” / Santo André / SP / 2019
Zorzal / Ileana Andrea Gómez GavinoseR / 3’ 53” / Argentina / 2019 /2D digital
El Jinete Azul / Ileana Andrea Gómez Gavinoser / 4’ 10” / Argentina / 2017 / 2D digital
Horizontes / Ileana Andrea Gómez Gavinoser / 2’/ Argentina / 2019 / 2D digital
Mostra Monstrengos 2 / 43´
Do, Re, Mi / Franco Ariel Malizia / 1’ / Argentina / 2017 /2D misto
ALONE / Franco Ariel Malizia / 1’ / Argentina / 2019 / 2D
At the festival / Franco Ariel Malizia / 1’35” / Argentina / 2019 / Stop motion
Ouça o Riso / Pablo Augusto Carvalho Reis e Luan Marcos Rodrigues / 7’ 38” / Belo Horizonte / 2019
Sapo Brothers em: Aventuras em outra dimensão / Rafael Dourado / 25´53” / Santo André / SP / 2019
Dream Drum Dream / Ileana Andrea Gómez Gavinoser / 1’ / Argentina / 2019 / 2D digital
Figuras / Ileana Andrea Gómez Gavinoser / 5’ 08” / Argentina / 2014 / 2D digital
Mostra Nacional 1. Sensoriais & Gags / 46’
Subsolo / Erica Maradona / 8´/ Porto Alegre / 2020
Mãos / Ivanildo Soares / 1´31” / São Paulo / SP / 2017
Ataque Binaural / Direção Coletiva / 5´33” / Vila Velha / ES / 2018
Solúvel / Diego Akel / 1´40” / Fortaleza / 2020
Ponto de Passagem / Larissa Lisboa / 1´/ Maceió / 2019
Atual Auto-Retrato / Moisés Pantolfi / 23” / Guarulhos/SP / 2020
Mirar / Larissa Lisboa / 54” / Maceió/Al / 2017-2020
Caleidoscópia / Bruno Cabús, Laura Dornelles / 2´27” / Recife / PE / 2018
A Vassoura da Bruxa / Jônathas David Dotta / 8´35” / Catanduva –SP / 2019
Quarks & Léptons / Maurício Squarisi / 9´/ Campinas / SP / 2019
Rútilo Cautério / Rodrigo Faustini & jpedrinho92D digital / 2’ 27” / Campinas-SP / 2020
Estudo de Cor e Gesto / Tetsuya Maruyama / 2´/ Rio de Janeiro / 2019
Mostra Nacional 2. Diversidade & Política / 56´
Tá Foda / Aline Golart, Denis Souza, Fernanda Maciel, Icaro Castello, Ligia Torres e Victoria Sugar / 4’20” / Pelotas / RS / 2020
Só sei que foi assim / Giovanna Muzel / 7’ / Florianópolis – SC / 2019
Nimbus / Marcos Buccini / 11´/ Recife / 2020
Apneia/ Carol Sakura & Walkir Fernandes / 15’ / Curitiba / 2019
Sonhos da Isah O bau do papai. / Joao Ricardo Costa / 8’ / Gov. Celso Ramos/ SC / 2019
Mirmecofaga / Yohana Lazarova / 2’44”/ São Paulo / 2020
Uma Volta pela Praça / Roberta Filizola / 5’ 45” / Fortaleza/CE / 2019
Siren / Aline dos Santos / 2’ 24” / São Paulo / 2020
Mostra Nacional 3. Dramas Existenciais / 42´
1 peixe para 2 / Chia Beloto / 9’ / Olinda /PE / 2019
Pantufas / Luíza Ishikawa / 2’ / São Paulo / 2019
O homem das gavetas / Duda Rodrigues / 8’ 55” / Recife / PE / 2019
O Muro era muito alto / Marão/ Rio de Janeiro / 4’ / 2019
O silêncio lá de baixo / Pamella Araújo / 2’30” / Florianópolis / SC / 2019
Mysha / Constantin de Tugny / 6’ 12”/São Paulo / 2019
Nódulo / Leandro Ferra / 9’ / Rio de Janeiro / 2020
Mostra animação e literatura
A Doida / Svetlana Filippova / 03´39” / Belo Horizonte / MG / 2016
A Primeira Flauta / Simon Brethé e Ricardo Poeira / 03´47” / Belo Horizonte / MG / 2017
Álvaro em Véspera / Paulo Camargos / 04´15” / 2007
Macacos Me Mordam / Sávio Leite e César Maurício / 09´32” / 2012
No Meio do Caminho Tinha Uma Pedra / Eduardo Santos e Simon Brethé / 05´40” / 20??
Quindins / David Mussel e Giuliana Danza / 09´18” / 2010
Viagens de Papel / Maurício Gino / 05´37” / 2007
O bloqueio / Cláudio de Oliveira / 11' / 2001
1. Mostra Internacional - Filmes Sensoriais / 42’
Ahead / Ala Nunu Leszynska / 5´20” / Reino Unido e Portugal / 2019 / 2D misto
Muedra / Cesar Díaz Meléndez / 9’ / Espanha / Stop motion
Back and Forth / Lisa Foster / 4´06”/ Belgica / 2018 / 2D misto
Por Ahora un Cuento / Carla Melo Gampert / 11’48” / Colômbia / 2018 / 2D
Blue Moon / Charlotte Dossogne / 3´40” / Belgica / 2018 / 2D digital
Le Silence de la rue / Marie Opron / 3’ 38” / França / 2D misto
Pile / Toberg / Toby Auberg / 3´23” / UK / 3D
Caracol / Cybelle Mendes / 1’ 40” / Portugal / 2020 / 2D misto
Careful / Alice Saey / 4’ / França / 2D misto
Corpuscule/ Lily-Tracy Rensonnet / 4’ / Belgica / 2018 / Recorte digital
(S)Trip / Étienne Moulin, Loïc Lecluyse, Émile Rozenthal, Baptiste Belperin / 2´42” / França / 2019 / 3D
2. Mostra Internacional - Diversidade e Política / 48
A Double Life / Job, Joris & Marieke / 2’ 43” / Holanda / 2018 / 3D
At First Sight / Sjaak Rood / 16’ 10” / Holanda / 2018 / 2D tradicional
Mad in Xpain / Coke Riobóo / 13’ / Espanha / Stop motion
Mother's Love / Chloé Delestrain, Morrigane Haudry, Adeline Leleu, Owen Masson, Philippine Singer / 3’ 18”/ França / 2019 / 3D
Faune / Quentin Vandecasteele, Clara Bolle / 3’ / França / 2019 / 2D digital
Suddenly Blank/ Lucas Silva, Coralie Hugot, Juliette Fremaux, Thibaut Lorillard, Valentin Cottenye / 9’30” / França / 2019 / 3D
3. Mostra Internacional - Gags Visuais I / 39’
Cycle / Sophie Olga de Jong e Sytske Kok / 2:15”/ Holanda / 2018 /2D tradicional
Bald / Luc Petterson / 2’27” / Holanda / 2018 / 3D
Toc / Aitor Herrero / 6’ / Espanha / 3D
Vivat musketeers! / Anton Dyakov / 5’ 30” / Russia / 2D digital
Dinosaurs: The True Story / Paul-Louis Aeberhardt / 5’ / Espanha / 2020 / 3D
Cinderella Swing / Myriam Ballesteros / 3’ / Espanha / 2D digital
Entre Baldosas / Nicolas Conte/ 9’ /Argentina / 2019 / Stop motion
Taupinière / Matthieu Chesneau, Brune Martin, Manon Poirier / 3’45” / França / 2019 / 3D
Piggy Bank / Coletivo / 4’53” / Belgica /2019 / Recorte digital
Eve & Garak / Coletivo / 4’ 29” / Belgica/ 2019 / Recorte digital
4. Mostra Internacional - Dramas existenciais I / 50’
Minotauro / Enrique Diego / 8´/ Espanha / 2019 / stop motion
Epirenov / Alejandro Ariel Martin / 15’ / Argentina / 2019 / Stop motion
400 MPH / Paul-Eugène Dannaud, Julia Chaix, Lorraine Desserre, Alice Lefort, Natacha Pianeti, Quentin Tireloque / 4’50” / França / 2019 / 3D
Tant que nos cœurs battent / Jason Mégrelis, Sylvan Charmasson, Charlotte Dudzicki, Kévin Lagrue, Marion Légier, Hradini Parikh, Léa Zafrilla / 5’ / França / 2019 / 3D
Mine de Plomb / Arthur Valter, Robin Delmond, Fanny Lambert, Lino Talfer, Noémie Six, Théo Emsellem e Philippe Meis / 6’ 27” / França 2019 /3D
Trois Francs Six Sous / Clémence Ottevaere, Florence Blain, Louise Leblond, Varoon Indalkar, Morgane Ladjel, Hugo Valdelièvre-Rattier / 6’ 33” / França / 2019 / 3D
Sauvage / Raoul Dhellemmes, Axel Beaudelot, Pauline Lemaire, Marius Dalle, Alexis Jouen, Ophélie Kaszynski / 4’ 42” / França / 2019 / 3d
Cinetic Thomas Lagana, Johanna Bardon-Brun, Robin Bouillet, Marie Jullietty, Hugo Meheust / 6’27” / França / 3D
5 Mostra Internacional / Urbanos / 40’
Echoes / Diana Acién Manzorro / 5’ / Espanha /3D
Madrid 2120 / José Luis Quirós e Paco Sáez / 7’ / Espanha / 3D
2 minutes 20 / Justin Gueguen e Annastassja Delayen / 2’45” / 2019 / França / 2D digital
Blue & Malone: Impossible Cases / Abraham López/ 21’ / Espanha / 3D
Archipaper / Rafal Barnas / 4’ / Espanha-Polônia / 2019 / 3D
Erebeta / François Vogel / 3’40” / França-Japão / 2018 / Experimental
Skyvision / Nicolas Mayeur, Alice Letailleur, Yanis Belaid, Lisa Vicente, Nathan Peyren / 4’20”/ França / 2019 / 3D
6. Mostra Internacional - Divagações /
Dreams into Drawing / Yamamura Koji / 10’ 10” / Japão / 2019 / 2D tradicional
WAKA HUIA / LAURENT LEPRINCE / 15’ / Espanha / 2019 / 2D digital
The Lifeguard / Cécile Mercier, Milena Blin, Clémentine Lecluse, Iris Stanley, Ming-Yang Zhao, Rohan Kotnis, Charlotte Humbert / 5’ / França / 2019 / 3D
The Dream Report / Jack O Shea / 8’ / Espanha-Irlanda / 2019 /2D digital
Little Thinks / Step C. / 5’ / Espanha-China / 2019 / 2d+StopMption
Burned / Franco Ariel Malizia / 17” / Argentina/ 2D digital
Between two worlds / Franco Ariel Malizia / 6’ / Argentina / 2019 / 3D
INFANTIL 1 : de 6 a 9 anos – 28´
Pila Pilão / Giuliana Danza / 1´ / Belo Horizonte / 2020
Superultramegafluuu / Érika Machado e Filipa Bastos / 3´34” / Belo Horizonte / 2015
Entre Baldosas / Nicolas Conte/ 9’ /Argentina / 2019 / Stop motion
Grey e Balldog em: A fome de Balldog / Alexandre Augusto / 1’ / Contagem / 2019
Cycle / Sophie Olga de Jong e Sytske Kok / 2:15”/ Holanda / 2018 /2D tradicional
Toc / Aitor Herrero / 6’ / Espanha / 3D
Dinosaurs: The True Story / Paul-Louis Aeberhardt / 5’ / Espanha / 2020 / 3D
INFANTIL 2: de 10 a 11 anos – 45’
SeuBôla encontrando os Nôuras / Bruno de Castro / 4’ 45“/ Rio de Janeiro / 2019
Siren / Aline dos Santos / 2’ 24” / São Paulo / 2020
Pila Pilão / Giuliana Danza / 1´ / Belo Horizonte / 2020
Cycle / Sophie Olga de Jong e Sytske Kok / 2:15”/ Holanda / 2018 /2D tradicional
Little Thinks / Step C. / 5’ / Espanha-China / 2019 / 2d+StopMption
Superultramegafluuu / Érika Machado e Filipa Bastos / 3´34” / Belo Horizonte / 2015
Eve & Garak / Coletivo / 4’ 29” / Belgica/ 2019 / Recorte digital
Blue & Malone: Impossible Cases / Abraham López/ 21’ / Espanha / 3D
INFANTO JUVENIL: de 12 a 16 anos – 45’
Só sei que foi assim / Giovanna Muzel / 7’ / Florianópolis – SC / 2019
Zeitkrankheit / Mariana Machado e Renato Megali / 2’ / Belo Horizonte / 2015
Eve & Garak / Coletivo / 4’ 29” / Belgica/ 2019 / Recorte digital
Blue & Malone: Impossible Cases / Abraham López/ 21’ / Espanha / 3D
Entre Baldosas / Nicolas Conte/ 9’ /Argentina / 2019 / Stop motion
segunda-feira, 10 de agosto de 2020
CineFaro, Mostra Internazionale di Audiovisivo Sperimentale e Film di Animazione, Programma MUMIA
quinta-feira, 5 de março de 2020
17 MUMIA - Entrevista Cassandra Reis - Lé com cré (Menção Honrosa)
Em que circunstâncias foi feito o filme? Como nasceu a ideia? É conclusão de curso?
O filme é meu trabalho de conclusão do curso de Audiovisual (ECA/USP).
A ideia surgiu na tentativa de fazer um pouquinho de cada uma das coisas que me interessavam antes e durante a graduação. Por um lado, eu sempre gostei de trabalhos manuais e tive uma queda por animação, mesmo sem saber exatamente como tudo aquilo funcionava. Por outro, sempre me encontrei mais nas histórias de criança e tinha (ainda tenho, na verdade) uma imensa vontade de me comunicar com esse público e, talvez, causar nele uma fração do que as histórias que vi quando pequena causaram em mim.
Com tudo isso na bagagem, no comecinho de 2013 o projeto começou a rondar minha cabeça e, a partir do contato com a obra do poeta Manoel de Barros, do professor Javier Naranjo e do documentário animado Creature Comforts, ganhou a forma que tem hoje.
Assim, em 2014 preparamos o projeto para ser avaliado enquanto TCC. Fizemos as entrevistas entre abril e agosto de 2015 e o roteiro/artes conceituais até outubro desse mesmo ano, quando demos início à confecção dos bonecos e do cenário, processo que acabou só no fim de 2016. De maio a outubro de 2017 o filme foi animado, mas finalizado só em maio do ano seguinte.
Enfim, foi um processo longo, cheio de entraves e muita aprendizagem. Vendo à distância, acho que o caminho foi o possível através das circunstâncias que estavam impostas, que esteve longe de ser o ideal, mas que fez tanto o filme, quanto a mim mesma, sermos o que somos hoje.
Como vocês escolheram os temas: dinheiro, medo, coisas de menina e de menino?
Eu a a Mari Lopes, produtora do filme e co-roteirista, listamos alguns temas que gostaríamos de abordar. A ideia inicial era que eles não tivessem um recorte muito específico, fossem mesmo um tanto aleatórios, passeando por uma variedade de aspectos da vida material, social, filosófica e por aí vai. Como tínhamos algumas (várias) limitações de produção, fomos obrigadas a reduzir o número de episódios e, com isso, chegamos aos sete temas sobre os quais faríamos as entrevistas; além dos que ficaram, os outros temas seriam família, culpa, magia e mentira, mas logo após as entrevistas, decidimos por não produzir culpa e magia, porque não tinham "rendido" muito.
Ao longo do tempo, com a produção se alongando e nosso prazo para desocupar o estúdio do departamento de audiovisual da universidade chegando ao fim - foram 10 meses entre montar o set, realizar testes e animar -, optamos por cortar novamente dois dos temas. Com isso, ganhamos um pouco mais de tempo para o que faltava e finalizamos, então, os temas que estavam mais “redondinhos” (dinheiro, medo e coisas de menina e de menino).
Qual a técnica utilizada?
A animação foi feita em stop-motion, a 24fps, quase todo rotoscopado (usei como referência a imagem real das crianças entrevistadas, a fim de preservar alguns trejeitos marcantes em cada uma).
Os bonecos tem esqueletos de arame e barra de alumínio e os corpos foram feitos de látex, com as cabeças feitas em resina e detalhes (cabelos, orelhas, narizes) em epóxi.
Algumas frases impactaram nosso público como a criança que diz que livro não se compra, pega emprestado, sentimentos, pai com medo de chorar, medo do adulto de perder o filho. Algumas palavras presentes no vocabulário deles como pipiu e perereca, gay e opções sexuais são faladas de forma inocente. Vocês pensaram que poderia haver um impacto no Brasil de hoje?
Definimos os temas em 2014 e, ainda que esperássemos algum tipo de discussão (principalmente, nos episódios sobre coisas de menina e de menino e sobre família - que não foi animado, mas que abordava estruturas familiares não tradicionais, casais homoafetivos, adoção, etc), os escolhemos por entender que eram (e são) temas relevantes e que tratá-los do ponto de vista das crianças seria não só uma forma de entender como esse assunto sai da conversa entre adultos e chega até elas, mas também como o olhar infantil pode ou não escapar de uma visão imposta, pré-estabelecida e preconceituosa, sendo autônomo e espontâneo.
Por outro lado, é certo que jamais pensamos no impacto que haveria no Brasil de hoje. Jamais imaginei o Brasil de hoje, na verdade. Não pensei que revendo o Lé com Cré, sentiria algum receio pela reação a algumas falas, que vislumbraria uma parcela das pessoas avessas ao fato das crianças serem tolerantes e receptivas às diferenças. Ou que eu me pegaria pensando se o que elas falam poderia ser censurado em algum contexto ou que poderíamos ser acusadas de corromper uma infância só porque uma personagem diz que "eles não se têm que escolher o gosto das pessoas, só o deles" ou que "menino ou menina... não faz nenhuma diferença".
Por sorte, porém, a recepção ao filme sempre foi majoritariamente positiva, seja entre adultos ou crianças. Assim, se por um lado há o medo causado pela chegada de tempos mais sombrios do que eu jamais poderia imaginar lá em 2014, há também um fiozinho de esperança que mora nessa resposta positiva.
A escolha dos personagens: Princesa Ruiva, Cachorro, adulto, elefante, Dora a aventureira, artista, Cinderela de uma certa forma representam o universo que essa crianças estão inseridas?
Acredito que representam, pelo menos, um pedacinho desse universo. A própria escolha foi mais elaborada do que os créditos deixam transparecer. Algumas delas não tinham apenas os personagens em mente, mas sim, o mundo que eles ocupavam quando me falavam como gostariam de ser. A Princesa Ruiva, por exemplo, embora seja baseada na personagem Merida de Valente (Pixar, 2014) foi descrita pela Bárbara como a única princesa que andava a cavalo e usava arco e flecha. Com base nessa e em outras descrições, acho que elas espelham, sim, a realidade e sobretudo os conteúdos a que as crianças estavam expostas, mas que não se limitam às coisas em si ou a um universo homogêneo, cujo referencial é um só. Parte, do universo interno de cada uma, também a leitura sobre ele e o lugar que habitam.
Como foi a decisão de entrevistar 63 crianças e escolher entre 7?
Mesmo passando por momentos bem difíceis ao longo da produção, acho que fazer esse recorte foi um dos mais difíceis. Queríamos aumentar nossas possibilidades e chances de construir episódios interessantes e, por isso, decidimos entrevistar o máximo de crianças que conseguíssemos. No fim, precisamos optar não pelas respostas em si, mas pelos personagens que poderiam contribuir em um número maior de episódios.
O João Pedro, o adulto, não estava em nosso primeiro recorte. Tínhamos um recorte mais "sério", com outra personagem que trazia questões de cunho social de uma maneira mais explícita. Por sorte, a Raquel, montadora do filme, propôs uma versão em que ele estava e a partir daí não teve como não ser.



















































