sábado, 6 de junho de 2020

Lançamento do livro A Forma realizada, Dean Luis Reis





















A Forma realizada, Dean Luis Reis, Pimenta filmes e edições, 247 págs., 2020.
Tradução: Sávio Leite
Mais um livro sobre cinema de animação vem completar a lista de livros dedicados a esse gênero que tanto agrada a crianças a adultos. Sávio Leite, que é professor de cinema de animação e diretor da MUMIA - Mostra Udigudi Mundial de Animação, ativa na capital mineira há dezoito anos, lança A Forma realizada: O cinema de Animação, do crítico cubano Dean Luis Reis, o quarto livro dedicado ao tema lançado pela Mostra e a segunda tradução dele. O livro foi adquirido em Havana, quando Leite foi selecionado para o prestigioso festival de cinema da Ilha, com seu curta Vênus, baseado em poema da escritora brasileira Hilda Hilst.
Como se cartografasse um território, o livro começa com os pioneiros da animação no século 20, mas apresentando novos realizadores do início do cinema que flertavam com a animação, como o suíço Hans Ritcher e o sueco Viking Eggeling. O livro também se propõe a discutir a animação japonesa partindo de dois de seus expoentes, Osamu Tezuka e Hayao Miyazaki e analisa também a diferença entre o mangá e o anime e como essas obras impactaram o Ocidente.
A produção do realizador cubano Juan Padrón (1947/2020) é alvo de análise. Ele fez um dos filmes objeto de culto em toda a América Latina: Vampiros em Havana, longa-metragem, de 1985. O livro é dedicado ao realizador que morreu em março desse ano e deixou uma obra exemplar.
A animação russa O conto dos contos, de Yuri Norstein, considerada uma das animações mais importante da historia, também recebe uma longa análise no livro, com uma abordagem de seus aspectos técnicos e metafísicos. O autor russo, um dos maiores nomes da animação mundial, cedeu a imagem para a capa da edição brasileira.
Os trabalhos dos estadunidenses irmãos Quay, Stephen e Timothy, mundialmente famosos pelas estranhas animações em stop motion, também são tema de análise e ponte para o desfile de outras personalidades importantes no cinema de animação do leste europeu, como Jan Lenica, Wladyslaw Starewicz e Jan Svankmajer.
O livro ainda traz um capítulo especial sobre o cinema digital e as novas formas de produção, partindo de um curta polonês magistral, de 1980, Tango, de Zbigniew Rybczynski, até os longas feitos em computação gráfica. O livro ainda explora várias facetas do cinema contemporâneo, passando por Steven Spielberg, James Cameron, John Lasseter, assim como autores do cinema que usam recursos da animação em algumas de suas obras, como Chris Marker e Peter Greenaway, até figuras mais undergrounds, como Ryan Larkin.  Além disso, o volume traz uma bibliografia extensa com muitos livros desconhecidos entre nós e um glossário com termos técnicos usados no cinema de animação.

Lançamento: 19 de junho
Livraria Ouvidor BH
R. Fernandes Tourinho, 253, Savassi
(31) 3221-7473
Entregas para todo o Brasil (31) 98316-5228

quinta-feira, 5 de março de 2020

17 MUMIA - Entrevista Cassandra Reis - Lé com cré (Menção Honrosa)













Em que circunstâncias foi feito o filme? Como nasceu a ideia? É conclusão de curso?

O filme é meu trabalho de conclusão do curso de Audiovisual (ECA/USP).
A ideia surgiu na tentativa de fazer um pouquinho de cada uma das coisas que me interessavam antes e durante a graduação. Por um lado, eu sempre gostei de trabalhos manuais e tive uma queda por animação, mesmo sem saber exatamente como tudo aquilo funcionava. Por outro, sempre me encontrei mais nas histórias de criança e tinha (ainda tenho, na verdade) uma imensa vontade de me comunicar com esse público e, talvez, causar nele uma fração do que as histórias que vi quando pequena causaram em mim.
Com tudo isso na bagagem, no comecinho de 2013 o projeto começou a rondar minha cabeça e, a partir do contato com a obra do poeta Manoel de Barros, do professor Javier Naranjo e do documentário animado Creature Comforts, ganhou a forma que tem hoje.
Assim, em 2014 preparamos o projeto para ser avaliado enquanto TCC. Fizemos as entrevistas entre abril e agosto de 2015 e o roteiro/artes conceituais até outubro desse mesmo ano, quando demos início à confecção dos bonecos e do cenário, processo que acabou só no fim de 2016. De maio a outubro de 2017 o filme foi animado, mas finalizado só em maio do ano seguinte.
Enfim, foi um processo longo, cheio de entraves e muita aprendizagem. Vendo à distância, acho que o caminho foi o possível através das circunstâncias que estavam impostas, que esteve longe de ser o ideal, mas que fez tanto o filme, quanto a mim mesma, sermos o que somos hoje.

Como vocês escolheram os temas: dinheiro, medo, coisas de menina e de menino?

Eu a a Mari Lopes, produtora do filme e co-roteirista, listamos alguns temas que gostaríamos de abordar. A ideia inicial era que eles não tivessem um recorte muito específico, fossem mesmo um tanto aleatórios, passeando por uma variedade de aspectos da vida material, social, filosófica e por aí vai. Como tínhamos algumas (várias) limitações de produção, fomos obrigadas a reduzir o número de episódios e, com isso, chegamos aos sete temas sobre os quais faríamos as entrevistas; além dos que ficaram, os outros temas seriam família, culpa, magia e mentira, mas logo após as entrevistas, decidimos por não produzir culpa e magia, porque não tinham "rendido" muito.
Ao longo do tempo, com a produção se alongando e nosso prazo para desocupar o estúdio do departamento de audiovisual da universidade chegando ao fim - foram 10 meses entre montar o set, realizar testes e animar -, optamos por cortar novamente dois dos temas. Com isso, ganhamos um pouco mais de tempo para o que faltava e finalizamos, então, os temas que estavam mais “redondinhos” (dinheiro, medo e coisas de menina e de menino).

Qual a técnica utilizada?

A animação foi feita em stop-motion, a 24fps, quase todo rotoscopado (usei como referência a imagem real das crianças entrevistadas, a fim de preservar alguns trejeitos marcantes em cada uma).
Os bonecos tem esqueletos de arame e barra de alumínio e os corpos foram feitos de látex, com as cabeças feitas em resina e detalhes (cabelos, orelhas, narizes) em epóxi.

Algumas frases impactaram nosso público como a criança que diz que livro não se compra, pega emprestado, sentimentos, pai com medo de chorar, medo do adulto de perder o filho. Algumas palavras presentes no vocabulário deles como pipiu e perereca, gay e opções sexuais são faladas de forma inocente.  Vocês pensaram que poderia  haver um impacto no Brasil de hoje?

Definimos os temas em 2014 e, ainda que esperássemos algum tipo de discussão  (principalmente, nos episódios sobre coisas de menina e de menino e sobre família - que não foi animado, mas que abordava estruturas familiares não tradicionais, casais homoafetivos, adoção, etc), os escolhemos por entender que eram (e são) temas relevantes e que tratá-los do ponto de vista das crianças seria não só uma forma de entender como esse assunto sai da conversa entre adultos e chega até elas, mas também como o olhar infantil pode ou não escapar de uma visão imposta, pré-estabelecida e preconceituosa, sendo autônomo e espontâneo.
Por outro lado, é certo que jamais pensamos no impacto que haveria no Brasil de hoje. Jamais imaginei o Brasil de hoje, na verdade. Não pensei que revendo o Lé com Cré,  sentiria algum receio pela reação a algumas falas, que vislumbraria uma parcela das pessoas avessas ao fato das crianças serem tolerantes e receptivas às diferenças. Ou que eu me pegaria pensando se o que elas falam poderia ser censurado em algum contexto ou que poderíamos ser acusadas de corromper uma infância só porque uma personagem diz que "eles não se têm que escolher o gosto das pessoas, só o deles" ou que "menino ou menina... não faz nenhuma diferença".
Por sorte, porém, a recepção ao filme sempre foi majoritariamente positiva, seja entre adultos ou crianças. Assim, se por um lado há o medo causado pela chegada de tempos mais sombrios do que eu jamais poderia imaginar lá em 2014, há também um fiozinho de esperança que mora nessa resposta positiva.

A escolha dos personagens: Princesa Ruiva, Cachorro, adulto, elefante, Dora a aventureira, artista, Cinderela de uma certa forma representam o universo que essa crianças estão inseridas?

Acredito que representam, pelo menos, um pedacinho desse universo. A própria escolha foi mais elaborada do que os créditos deixam transparecer. Algumas delas não tinham apenas os personagens em mente, mas sim, o mundo que eles ocupavam quando me falavam como gostariam de ser. A Princesa Ruiva, por exemplo, embora seja baseada na personagem Merida de Valente (Pixar, 2014) foi descrita pela Bárbara como a única princesa que andava a cavalo e usava arco e flecha. Com base nessa e em outras descrições, acho que elas espelham, sim, a realidade e sobretudo os conteúdos a que as crianças estavam expostas, mas que não se limitam às coisas em si ou a um universo homogêneo, cujo referencial é um só. Parte, do universo interno de cada uma, também a leitura sobre ele e o lugar que habitam.

Como foi a decisão de entrevistar 63 crianças e escolher entre 7?

Mesmo passando por momentos bem difíceis ao longo da produção, acho que fazer esse recorte foi um dos mais difíceis. Queríamos aumentar nossas possibilidades e chances de construir episódios interessantes e, por isso, decidimos entrevistar o máximo de crianças que conseguíssemos. No fim, precisamos optar não pelas respostas em si, mas pelos personagens que poderiam contribuir em um número maior de episódios.
O João Pedro, o adulto, não estava em nosso primeiro recorte. Tínhamos um recorte mais "sério", com outra personagem que trazia questões de cunho social de uma maneira mais explícita. Por sorte, a Raquel, montadora do filme, propôs uma versão em que ele estava e a partir daí não teve como não ser.

domingo, 1 de março de 2020

18º MUMIA – MOSTRA UDIGRUDI MUNDIAL DE ANIMAÇAO - REGULAMENTO









arte: Gabriel Bitar










de 02 a 07 de dezembro de 2020

REGULAMENTO 18º MUMIA – MOSTRA UDIGRUDI MUNDIAL DE ANIMAÇAO

CAPÍTULO I: DA FINALIDADE
O MUMIA - Mostra Udigrudi Mundial de Animação tem a finalidade de incentivar novas produções audiovisuais de curtas-metragens em animação, por sua inovação e criatividade.


CAPÍTULO II: DA INSCRIÇÃO
2.1 – A Mostra está aberta às produções nacionais e internacionais, para filmes de animação, finalizados a partir de 2010. Cada participante poderá inscrever com quantos títulos quiser, inscritos individualmente. Serão também bem aceitos vídeos realizados em outros mundos diferentes.

2.2 – As inscrições ficam abertas do dia 01 de Março de 2020 a 31 de Maio de 2020. Para realizá-la é necessário:
Preencher o formulário: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSclSDad9g_j3S_zlnVM7FOfEqxit2jbrCbnUAo1CopsirEcxQ/viewform?urp=gmail_link

Enviar o arquivo do filme, impreterivelmente no formato H264, para o e-mail inscricoesmumia18@gmail.com por meio de
Wetransfer (www.wetransfer.com), dropbox, googledrive OU em ultimo caso enviar um DVD com o arquivo para o endereço: 17º MUMIA – Rua da Bahia, 1148, sala 1714, Centro, Belo Horizonte – MG, CEP 30190-906, Brasil
Arquivo Digital nos formatos (MP4, com codec H264, exportado com até no máximo 40 mbps e áudio codec AAC ou DTS observando o teto de 192 kHz / 24-bit.
Caso o arquivo não venha nas especificações acima pode ser cortado da programação.
É necessário também o envio de material de divulgação (fotos do filme) para o e-mail inscricoesmumia18@gmail.com, com a identificação do filme.
No caso de produções estrangeiras, quando houver diálogos é essencial o envio de lista de diálogo.

CAPÍTULO III: DA SELEÇÃO
3.1 - Não haverá seleção de Filmes e Vídeos inscritos na mostra. Mas existem fatores de desclassificação.

3.2 – Serão desclassificados aqueles que:
Conforme a opinião dos diretores da mostra, não se encaixem no gênero animação.
Enviarem arquivo em formato diferente do especificado acima
No caso de produções estrangeiras com diálogos, não enviarem a lista de diálogo.




3.3 – Os selecionados e a programação estarão disponíveis a partir de setembro de 2020 em: http://www.mostramumia.blogspot.com e na fanpage

CAPÍTULO IV: DISPOSIÇÕES GERAIS
4.1 - Todas as cópias enviadas ao MUMIA - Mostra Udigrudi Mundial de Animação, passarão a fazer parte do acervo da Mostra podendo ser utilizadas somente para fins culturais em outras Mostras, tanto no Brasil quanto no exterior, e em programas de televisão sem objetivos comerciais, desde que autorizado pelos seus realizadores.

4.2 - A organização da MUMIA reserva para si o direito de utilizar cenas (até 30") de filmes inscritos na mostra em programas ou produtos que visem promovê-la.

4.3 - A organização do MUMIA - Mostra Udigrudi Mundial de Animação poderá utilizar imagens, fotos e material gráfico dos vídeos, para divulgação dos mesmos em todas as mídias.

4.4- Todas as animações brasileiras participaram da mostra de extensão do 18º MUMIA nas cidades de Teófilo Otoni e Divinópolis em Minas Gerais em março / abril de 2021.

4.5 - As inscrições não serão confirmadas.

4.6 – Não serão aceitas correspondências a cobrar em hipótese alguma. Os realizadores devem arcar com todo custo de envio.

4.7 - O preenchimento da Ficha de Inscrição no Google Docs vinculado ao blog da mostra no ato da inscrição certifica o participante à aceitação deste regulamento.

4.8 - Os casos omissos serão solucionados pela comissão organizadora da Mostra Udigrudi Mundial de Animação.



18º MUMIA – UNDERGROUND WORLD ANIMATION FESTIVAL –
CALL FOR ENTRIES

Rules

Chapter I: Purpose

MUMIA – Underground World Animation Festival – is focused in promoting recent animation short films, incentivating inovation and creativity.

Chapter II: Submission

2.1 - The Festival is opened to national and international animated films, completed after 2010. Each director can submit more than one film or video, but must submit each of them with separate entry forms. Videos made in different worlds will be very well accepted too.

2.2 - Submissions are open from March 1st to May 31, 2020.

Follow the instructions below:
Fill the formulary: LINK DO FORMULARIO

The films must be delivered in H264 only, regardless of the original format, that should be sent to the email inscricoesmumia17@gmail.com, or through wetransfer (www.wetransfer.com) or dropbox or googledrive or a DVD sent to the address:

18º MUMIA
Rua da Bahia, 1148, sala 1714, Centro, Belo Horizonte – MG, Brasil.
CEP 30190-906
Digital archives should be in the following format: MP4, codec H264, exported to a maximum 40 mbps audio codec AAC or DTS, maximum 192 kHz / 24-bit.
Films that do not fit the festival's especifications can be disqualified and not selected.
It is also necessary to send publicity material such as photos of the film to the email inscricoesmumia18@gmail.com, correctly identified.
International films must send a dialogue list.

Chapter III: Selection

3.1 - There will not be selection of the films and videos submitted, but there are disqualification criteria such as:

3.2 - films that do not fit the festival's genre, according to the opinion of the festival's diretors; films not delivered in the specified format; international films without the dialogue list.

3.3 - Selected films and the programming will be available from september, 2020 in: http://www.mostramumia.blogspot.com/

Chapter IV: General Information

4.1 – Film copies will not be returned and will be part of the Festival’s archive and can be screened only for cultural purposes on special programmes in Brasil or other countries, including television programmes, without commercial purposes, under the director’s authorization.

4.2 - If your work is accepted into the festival, you agree to allow MUMIA to use the images of the film (sound and clips, maximum of 30”) to promote special programmes, screenings or other cultural products.

4.3 – MUMIA’s is also allowed to use pictures, photos and the publicity materials of the films to promote them in every media supports.

4.4- All the selected Brazilian animations will be part of a Special Programme to be screened on the cities of Teófilo Otoni and Divinópolis (Minas Gerais) on March / 2021.

4.5 – Registrations will not be confirmed.

4.6 - The submitter of the films must pay for all the shipping costs. The festival will not accept any charges.

4.7 – Filling the inscription form of a film or a video through Google docs linked to MUMIA's blog implies acceptance of the terms of these rules.

4.8 - Other issues will be decided by the MUMIA’s organization committee.