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domingo, 18 de julho de 2010
Ponyo - Hayao Miyazaki
Está em cartaz nos cinema de Belo Horizonte e boa parte do Brasil o filme Ponyo - Uma Amizade que veio do Mar, nova animação do cineasta japonês Hayao Miyazaki, que chega com dois anos de atraso no Brasil. O filme, do mesmo diretor de A Viagem de Chihiro (2002), vencedor do Oscar de Melhor Animação em 2003, já ganhou sessões de pré-estreia em algumas salas de São Paulo e Belo Horizonte, durante a semana de 9 a 15 de julho.
No longa, Ponyo é uma peixinha dourada que, ao conhecer o garoto Sosuke, cria uma amizade tão grande com ele que resolve se tornar humana só para poder passar mais tempo ao lado de seu melhor amigo. Sosuke tem uma ligação muito forte com o oceano, já que seu pai é marinheiro e manda sinais de luz para a família sempre que o seu barco pode ser avistado do horizonte. Ponyo é uma peixinho dourado que Sosuke encontra na praia e pega para si. Cuida dela com amor e carinho, o que faz com que a afeição seja mútua. Mas Ponyo não é um peixe qualquer. É filha de uma deusa dos mares, e até ter sido descoberta pelo menino passará toda a vida prisioneira no fundo do oceano, assim mantida por um feiticeiro que outrora fora humano. O mago manipula os mares para ir atrás de Ponyo – mas não imagina que o amor dela por Sosuke possa transformá-la numa garotinha humana.
Ponyo foi lançado pelos Estúdios Disney e não por acaso, John Lasseter, um dos artistas pioneiros da Pixar e atual executivo da Disney, faz juras de admiração à Hayao Miyazaki, o desenhista que fundou o Ghibli e que escreve, dirige e supervisiona todas as obras do estúdio. Novo “Toy Story” há um boneco Totoro – animal do folclore japonês que protagonizou um dos filmes de Miyazaki e que serve de mascote para o Ghibli -, homenagem clara da Pixar ao melhor animador em atividade.
Miyasaki disse que é muito pessimista e sem esperanças sobre o futuro mundial, mas não mostra este lado depressivo nos filmes, muito pelo contrário. Ele faz filmes para trazer alegria às crianças e entreter o público com respeito. Ninguém faz filmes de animação tradicional tão bem quanto o estúdio japonês Ghibli.
No Japão o filme arrasou nas bilheterias arrecadando US$ 158 milhões
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Hayao Miyasaki - Sofisticado e Inteligente
Crítica do filme de Miyazaki feita na Folha de São Paulo. Após "A Viagem de Chihiro", o japonês Hayao Miyazaki investiga revolução industrial
Animação mergulha na iminência da guerra
PEDRO BUTCHER
CRÍTICO DA FOLHA - 05/08/05
É preciso festejar que os filmes de Hayao Miyazaki estejam sendo lançados comercialmente no Brasil. Depois da obra-prima "A Viagem de Chihiro", que veio com as chancelas do Urso de Ouro no Festival de Berlim e do Oscar de melhor animação, é a vez dos cinemas brasileiros receberem o quase tão belo "O Castelo Animado", que passou no Festival de Veneza do ano passado.
Imensamente popular no Japão, Miyazaki tem um longo percurso a percorrer antes de alcançar o mesmo sucesso por aqui. Seu trabalho ainda sofre da pecha do "cinema de arte", um tipo de adjetivação bem-intencionada que, muitas vezes, confina certas obras a nichos de mercado. Por serem "de arte" e por serem japoneses, seus filmes são considerados complexos demais para crianças, o que é no mínimo relativo. As narrativas apenas obedecem a uma lógica diferente, não tão calcada na "causa-conseqüência" da dramaturgia ocidental.
A fluidez é a marca mais evidente do estilo de Miyazaki. Tanto do ponto de vista da história como do desenho, tudo é concebido como um fluxo que, no seu conjunto, termina formando um universo de extrema coerência e beleza internas. Um universo quase felliniano, por vezes grotesco, mas sempre encantador, capaz de explorar todo o potencial de liberdade que a animação dá. Não é raro que as crianças se entreguem a esse universo mais facilmente do que os adultos, que ficam esperando explicações para tudo. Mesmo que não compreendam detalhes, como muitas vezes também não compreendem nos filmes americanos as piadas feitas para distrair os mais crescidos, as crianças costumam vidrar os olhos nos traços e cores do animador.
Em "O Castelo Animado", curiosamente, o desenho de Miyazaki serve a uma história ocidental. O filme é uma adaptação de um livro da escritora inglesa Diana Wynne Jones ambientado nas vilas européias do começo do século passado. Um mundo marcado pela revolução industrial (máquinas a vapor e engenhocas mecânicas dominam a cena) e pela iminência da guerra -mas não pelo racionalismo pragmático.Nesse mundo, a jovem chapeleira Sophie é transformada em uma senhora de 90 anos por uma feiticeira enciumada. Apavorada, a velha-menina se auto-exila em terras desprotegidas, lá onde vive Howl, um mago considerado perigoso. Sophie termina conseguindo abrigo no castelo ambulante de Howl e assume a arrumação da casa -até se dar conta de que ele não tem nada de perigoso. Aos poucos, vai descobrir a chave para se desvencilhar do feitiço.
Ainda que tardia, a descoberta de Miyazaki faz um bem enorme à diversidade nas telas brasileiras e amplia o leque de opções cinematográficas das crianças, hoje tão limitado às produções dos estúdios Disney e DreamWorks. Tomara que "A Viagem de Chihiro" e "O Castelo Animado" abram portas para que filmes antigos de Miyazaki (e os novos) aportem com freqüência.
O Castelo Animado
Hauru no Ugoku
: Hayao Miyazaki
Produção: EUA/Japão, 2004
Outros longas de Hayo Miyasaki:
A Viagem de Chiriro - 2001 (Urso de Ouro no Festival de Berlim (2002) e Oscar de Melhor animaçao (2003)
Princesa Mononoke (1997)
Porco Rosso (1992)
Kiki's Delivery Service (1989)
Meu amigo Totoro (1988)
Castle in the sky (1986)
Warriors of the wind (1984)
Arsene Luoin and the Castle of Gagliostro (1979)
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